quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A EDUCAÇÃO ESPÍRITA PARA CRIANÇAS

Texto extraído da Palestra Virtual promovida pelo IRC-Espiritismo

Apresentação do Palestrante: Oswaldo Cruz

Boa noite. Que o Senhor da Vida envolva-nos a todos. Trabalho no Centro Espírita Maria Angélica, no Recreio dos Bandeirantes/RJ.

Colaboro nas atividades de divulgação doutrinária e evangelização da infância. Também participo do programa "Estudo Dinâmico do Espiritismo" na Rádio Rio de Janeiro.



Considerações Iniciais do Palestrante:


"Ver no coração infantil o esboço da geração próxima". Assim, André Luiz inicia suas considerações sobre a infância no livro "Conduta Espírita". Entendemos a infância como sendo período fértil para a assimilação de valores os mais diversos. Nossa responsabilidade como pais, educadores e participantes da comunidade, de maneira geral, deve ser voltada ao aproveitamento dessa facilidade de assimilação, para a construção de um mundo melhor.


Observando nossas crianças, percebemos o quanto estão carentes de bons exemplos; o quanto aproveitam o que lhes é oferecido, sem que tenham chance de se defender. O quanto confiamos às emissoras de TV e seus personagens a apresentação de valores que, evidentemente, não condizem com aquilo que entendemos ser um padrão aceitável de comportamento.


Trabalhando com crianças há alguns anos, percebemos o quanto a omissão de muitos vem contribuindo para o cultivo de uma sociedade ainda injusta e tão cheia de "esquecidos". É nossa responsabilidade, como cristãos, trabalhar intensamente para que o Reino de Deus chegue a cada coração, através de uma ativa participação no meio em que vivemos, principalmente junto de nossas crianças. É um terreno muito fértil e que precisa ser urgentemente trabalhado.




1 - Como é visto o uso de alguma "energia" para a educação de nossos filhos. A palmada é permitida ou nossos pais erraram flagrantemente?
Uma das bases do trabalho de Pestalozzi era a de que "o amor é o eterno fundamento da educação". Entendemos que o relacionamento entre pais e filhos deve ser embasado no amor, capaz de suprir as deficiências de ambos. Observamos, também, o resultado da educação oferecida por pais que nunca utilizaram os recursos da "palmada", e constatamos o sucesso dessas experiências.
Ora, sendo nós espíritas, nada mais justificável que utilizemos os recursos excelentes que o Espiritismo nos oferece para educarmos nossas crianças. Estaremos, então, contribuindo para uma sociedade justa, equilibrada em que as relações baseiem-se no princípio do amor.


2 - Qual a importância da educação espirita para a formação da sociedade?
A educação, por definição, constitui-se na base da formação de uma sociedade saudável. Na mesma obra acima citada, "Conduta Espírita", o autor menciona que "Orientação da Infância, profilaxia do futuro".


3 - Uma criança possui mediunidade ostensiva? Qual seria o melhor procedimento de um evangelizador percebendo isso?
Em "O Livro dos Médiuns", somos alertados para o inconveniente do desenvolvimento da faculdade mediúnica nas crianças. Kardec alerta que devemos evitar tal prática, dada a sensibilidade das crianças e a fragilidade de seus organismos. É feita uma ressalva, entretanto, quanto à eclosão natural da mediunidade, caso em que deve ser cuidadosamente avaliada.
De nossa parte, entendemos ser a Evangelização Infantil o recurso adequado para a grande maioria desses casos, considerando, principalmente, o objetivo principal da mediunidade para nós. Entendemos aqui não a manifestação de espíritos tão somente, mas como sendo parte de um conjunto que objetiva a educação do espírito encarnado. Recomendamos sempre que a direção do Centro Espírita seja consultada nesses casos.


4 - Como os pais devem agir com o filho, quando nele sente a inclinação para jogos de azar? Como pode, mesmo a criança freqüentando a evangelização, compreendendo de maneira surpreendente os ensinamentos, ter dificuldade em aplicá-las no dia-a-dia?
A melhor atitude, além, naturalmente, da conversa franca sobre o assunto, é demonstrar utilizando sempre o princípio da caridade, o quanto os vícios de maneira geral vem contribuindo para o desajuste social. E observem que, infelizmente, sempre há exemplos em volta que podem servir para ilustrar o fato. Mas a caridade precisa estar presente quando fizermos isso. Além disso, convém que o Evangelizador seja informado para que este aja da forma mais discreta possível.


5 - Eu queria saber qual a visão do Oswaldo sobre a evangelização infanto-juvenil. Como, na visão dele, deve ser o evangelizador/educador espírita?
Entendo a evangelização infanto-juvenil como sendo a melhor contribuição que pode ser oferecida ao espírito encarnado em seu processo evolutivo. O evangelizador infanto-juvenil/educador espírita precisa conscientizar-se de sua importância nesse processo, que tem orientação dos Espíritos Maiores, e deve manter-se atualizado, visando dar sua melhor contribuição ao trabalho. Mais importante ainda do que a atualização "pedagógica/técnica" é o sentimento de amor que deve animá-lo na realização das atividades da evangelização espírita infanto-juvenil.
Entretanto, ainda deve "estar no mundo, sem ser do mundo", convivendo com a sociedade em que vive, vivificando aos que o cercam com sua alegria de viver.


6 - Há inúmeros casos de crianças que despertam a sexualidade ainda muito novas. Trazem essas idéias como fixas e, na maioria das vezes, são motivos de repulsa e indignação. Na infância, nos diz a Doutrina, as lembranças são, algumas vezes, resgatadas das colônias em que estavam antes da reencarnação. Como explicar tais comportamentos e como proceder diante de crianças como essas?
Somos todos, sem exceção, o conjunto do que construímos ao longo de séculos incontáveis. Sabemos, como espíritas, que aprendemos tanto encarnados como desencarnados e que, ao desencarnarmos ou reencarnarmos, não mudamos o que somos. Nosso aprendizado, embasado na vivência, fará com que construamos um novo jeito de ser.
Quando a criança manifesta qualquer tendência, devemos enxergar o espírito imortal que há nela, apresentando-se, mostrando-se como é. O preconceito ou atitudes intempestivas, ao invés de contribuir para seu processo educativo - e esse é o objetivo da reencarnação -, apenas podem inibir a manifestação "natural" e aquilo que foi observado vai deixar de sê-lo, porque simplesmente passou a ser feito escondido.
Os pais precisam então, conscientes de seu papel como educadores, e comprometidos com aquele espírito que ali está, iniciar intenso trabalho educativo com base no amor, levando a criança a desenvolver outros potenciais, minimizando, assim, a eclosão de algo que somente deveria ter surgido a posteriori. É trabalho delicado, mas que entendemos não ser algo que não possa ser levado a termo por aqueles que se propuseram a receber um espírito em seu lar, como seu filho.


7 - Como tratar o jovem espírita com tendências homossexuais e preocupado entre o ser espírita e ter essa tendência? E que está sentindo dentro de si a impossibilidade de promover qualquer trabalho no Espiritismo por conta disso?
Deve ser tratado com a maior naturalidade e amor, sem nenhum tipo de discriminação. Deve ser envolvido de tal forma que perceba que tem condições de contribuir para o trabalho. A Doutrina Espírita não proíbe absolutamente nada e todos os espíritos encarnados têm condições de contribuir na grande obra de transformação da humanidade, sendo até mesmo os maiores beneficiários.


8 - Educação Espirita é só no Centro Espirita?
Não. O processo deve ocorrer em toda a parte, principalmente em casa. O trabalho no Centro Espírita deve ser um complemento ao que deve ser desenvolvido pelos pais/responsáveis. Ocorre, entretanto, que muitas vezes a Evangelização oferecida pelo Centro Espírita é a única fonte de educação que a criança recebe. E aí, vamos aproveitar todos os momentos em que a criança estiver conosco para realizar o trabalho, sem desperdícios de tempo.


9 - Qual o papel da psicologia, pedagogia para a evangelização espírita?
Oferecem embasamento técnico ao trabalho realizado pelos evangelizadores. Cada evangelizador deve sempre participar de treinamentos oferecidos no próprio movimento espírita, que objetivam dar-lhe recursos para melhor desenvolver suas atividades.


10 -Como contrabalançar os modelos oferecidos pela televisão com os necessários ao desenvolvimento moral das crianças?
Na verdade, deveríamos filtrar o que nossas crianças vêem e ouvem, impedindo que, sensíveis como são, fiquem expostas a modelos distorcidos que não contribuem para o seu crescimento espiritual. Ainda que esteja na moda.


11 - Como tratar a criança difícil em salinha da evangelização?
Com todo amor e carinho, exercitando a paciência e a tolerância, pois ela é a maior e principal necessitada do grupo. É a cota diária do Evangelizador no exercício do bem.


12 - Em que currículo se baseiam os Centros Espíritas para elaborarem os planos da Evangelização Infantil? Como são montados esses currículos? Existe um que seja a nível nacional?
Esses programas podem ser adaptados à realidade local de cada Centro Espírita e são elaborados a partir das experiências de pessoas com profundas ligações com a Evangelização da Infância.




Considerações Finais do Palestrante:


A infância é realmente um período muito importante em nossas vidas. Não podemos desperdiçar oportunidades que surgem em todos os momentos para oferecer nossa melhor contribuição para um mundo mais saudável e justo.


Uma sociedade baseada nos valores do espírito e sua origem divina.


Evangelizar a criança é semear o Reino de Deus em nós. É ter a certeza de que estamos oportunizando ao espírito em sua caminhada rumo ao progresso, caminhos menos tortuosos, com a segurança de quem anda com a luz.

O apelo "Evangelize, coopere com Jesus" é mais atual que nunca e hoje somos realmente convidados a contribuir nessa causa tão nobre. Que o Senhor ilumine nosso caminhos, abençoando nossos propósitos. Boa noite. 


Fonte:

Palestra Virtual
Promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br/
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br/
Em conjunto com o Centro Espírita Maria Angélica
Palestrante: Oswaldo Cruz
Rio de Janeiro09/06/2000


TIPOS DE ENCARNAÇÃO

Podemos considerar 3 tipos básicos de encarnação:

1- Encarnação Voluntária: (Livre)- É apanágio de Espíritos redimidos. Grandes missionários que vêm à Terra em tarefa de valor incontestável. Possuem liberdade de escolha muito grande, pois eles mesmo determinam as tarefas a serem desenvolvidas, o local onde vão nascer, os pais e as diversas situações de sua existência. Muito raras são essas encarnações;

2- Encarnação Semi-Voluntária: (Proposta)- Leva em conta o livre-arbítrio relativo de que dispõe o Espírito; mentores estudam seus débitos e méritos, programando, em seguida, os principais acontecimentos da próxima existência na carne, tendo em vista a liquidação ou minoração de dívidas e as possibilidades de progresso. Mas isto não é imposto, podendo o indivíduo discutir certas questões e propor alterações, que serão aceitas ou não. É a modalidade de muitos de nós, dotados de suficiente acuidade mental no espaço para discernir o que é interesse genuíno e o que é ilusão, na vida terrena;

3- Encarnação Compulsória:- É aquela que colhe o Espírito sem prévia concordância dele e até sem o seu conhecimento. É por sua índole, própria dos Espíritos cujo grau de perturbação impede análise lúcida da situação ou cujas faltas são tão graves que anulam a liberdade de escolha. É uma imposição feita pela Lei para atender a casos cuja recuperação exige longas expiações. Os arranjos reencarnatórios são feitos por entidades amigas de condição evolutiva superior que preparam todos os detalhes daquela nova existência.


O processo de reencarnação compulsória, na realidade, dispensa a atuação direta de técnicos da espiritualidade.

 Tudo pode desenrolar-se naturalmente, obedecendo aos impositivos do automatismo que rege a encarnação dos seres.

Evolução em Dois Mundos - cap XIX, André Luíz diz:


"Os Espíritos categoricamente inferiores, na maioria das ocasiões, padecendo monoideísmo tiranizante, entram em simbiose fluídica com as organizações femininas a que se agregam, sendo inelutavelmente atraídos ao vaso uterino, em circunstâncias adequadas, para a reencarnação que lhes toca, em moldes inteiramente dependentes da hereditariedade."


Importa, entretanto, considerar que, mesmo nesses casos, a entidade reencarnante sofre supervisão atenta, mesmo que a distância, de Espíritos superiores, responsáveis pelo destino da Terra. A esse respeito Manoel Philomeno de Miranda Painéis da Obsessão esclarece:


Cada criatura recebe de acordo com as necessidades da própria evolução.


Merece todavia, considerar que existência alguma se encontra ao azar, distante de carinhosa ajuda e de socorros providenciais. Da mesma forma que a faixa mais larga da reencarnações ocorre através de fenômenos automatistas, numa programática coletiva, esta não se dá sem que os superiores encarregados dos renascimentos, na Terra, tomem cuidadoso conhecimento."

Com relação aos Espíritos vinculados ao planeta Terra, informa-nos André Luiz, que a maioria deles reencarna-se de forma compulsória.

fonte: http://www.forumespirita.net/



terça-feira, 3 de setembro de 2013

AS COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS

Por todos os recantos da Terra, fazem-se ouvir, nos tempos que correm, as vazes dos Espíritos que, na sua infatigável atividade, conduzem a luz da verdade a todos os ambientes, dosando as suas lições segundo o grau de perceptibilidade daqueles que as recebem.

Os ensinamentos do Espaço pululam nas escolas, nos templos, nas oficinas e, aos poucos, ides compreendendo a comunhão do orbe terráqueo com os planos invisíveis. O Espiritismo tem doutrinado convenientemente a Fé e a Ciência, preparando-as para os esponsais do porvir.

Se é verdade que a tibieza de alguns trabalhadores, obcecados pelos preconceitos, tem entravado a marcha da doutrina consoladora, devemos reconhecer que muitas mentalidades, saturadas de suas claridades benditas, têm concorrido com os melhores esforços da sua existência em favor da propagação dos seus salutares princípios, desobrigando-se nobre-mente dos seus deveres para com a bondade divina.

O MEDIUNISMO

Vários autores não têm visto, na extensa bibliografia dos escritores mediúnicos, senão reflexos da alma dos médiuns, emersões da subconsciência, que impelem os mais honestos a involuntárias mistificações.

Excetuando-se alguns casos esporádicos, em que abundam os elementos prestantes à identificação, as mensagens mediúnicas são repositórios de advertências morais, cuja repetição se lhes afigura soporífera. Todavia, erram os que formulam semelhantes juízos.

Diminuta é a percentagem dos intrínsecos, já que todo o mediunismo, ainda que na materialização e no automatismo perfeitos, se baseia no Espiritismo e Animismo conjugados.

A COMUNHÃO DOS DOIS MUNDOS

Os desencarnados não podem imiscuir-se na vida material com a plenitude das faculdades readquiridas e o médium, por sua vez, freqüentemente, em vista das suas condições e circunstâncias, está impossibilitado de corresponder à potencialidade vibratória daqueles que o procuram para veicular o seu pensamento.

A alma, emancipada dos liames terrestres, integra a comunidade do outro mundo, que não é o da carne, e, daí, a necessidade imprescindível de submeter-se às condições de ordem material para se manifestar; esse fato constitui uma dificuldade extraordinária à consciência depurada, que já desferiu o voo altíssimo aos denominados planos felizes do Universo, dificuldade que essa adaptação à materialidade implica.

A comunhão dos dois mundos, o físico e o invisível, está, pois, baseada nos mais sutis elementos de ordem espiritual.

Por essa razão, as luminosas mensagens dos grandes mentores da Humanidade são inspiradas aos seres terrenos através de processos inacessíveis ao seu entendimento atual, e a maioria das entidades comunicantes são verdadeiros homens comuns, relativos e falhos, porquanto são almas que conservam, às vezes integralmente, o seu corpo somático e cujo habitat é o próprio orbe que lhes guarda os despojos e as vastas zonas dos espaços que o cercam, atmosferas do próprio planeta, que poderíamos classificar de colônias terrenas nos planos da erraticidade.

Ai se congregam os seres afins e, nesse meio, vivem e operam muitas elites espirituais, constituídas por Espíritos benignos, mas não aperfeiçoados, os quais, sob ordens superiores, laboram pelo seu próprio adiantamento e a prol da evolução humana, volvendo novamente à carne ou trabalhando pelo progresso no seio das coletividades terrestres.

O QUE REPRESENTAM AS COMUNICAÇÕES

Dos motivos expostos, infere-se que a suposta vulgaridade dos ditados mediúnicos é um fato naturalismo, porque emanam das almas dos próprios homens da Terra, imbuídos de gosto pessoal, já que o corpo das suas impressões persiste com precisão matemática, e somente os séculos, com o seu conseqüente aglomerado de experiências, conseguem modificar as disposições cármicas ou perispirituais de cada indivíduo. Procuram agir no plano físico unicamente para demonstração da sobrevivência além da morte, levantando os ânimos enfraquecidos, porque dilatam os horizontes da fé e da esperança no futuro, porém, jamais serão portadores da palavra suprema do progresso, não só porque a sua sabedoria é igualmente relativa, como também porque viriam anular o valor da iniciativa pessoal e a insofismável realidade do arbítrio humano.

OS PLANOS DA EVOLUÇÃO

Assim como o Infinito é uma lei para os estados das consciências, temos o infinito de planos no Universo e todos os planos se interpenetram, dentro da maravilhosa lei de solidariedade; cada plano recebe, daquele que lhe é superior, apenas o bastante ao seu estado evolutivo, sendo de efeito contraproducente ministrar-lhe conhecimentos que não poderia suportar.

A evolução, sob todos os seus aspectos, deve ser procurada com afinco, pois é dentro dessa aspiração que vemos a verdade da afirmação evangélica – “a quem mais tiver, mais será dado”. '

À medida que o homem progride moralmente, mais se aperfeiçoará o processo da sua comunhão com os planos invisíveis que lhe são superiores.

Extraído do livro: Dissertações Mediúnicas sobre importante questões
que preocupam a humanidade
Psicografado por Francisco Cândido Xavier - ditado pelo espírito Emmanuel


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CARTA ÀS FAMÍLIAS


É certo que, sobre a Terra
Nas lutas de expiação,
Muita vez, o lar se forma
Para a dor da redenção.

Por vezes, os inimigos
Das existências passadas
Recebem o mesmo sangue
Em lutas amarguradas.

É o resgate doloroso,
A algema que, no futuro,
Transforma o ódio tigrino
Em tesouros do amor puro.

Eis aí porque, não raro,
Nessa prova que redime,
Irmãos surgem contra irmãos,
Raiando até pelo crime.

Mas a dor, a grande dor
Que reforma toda a gente,
Recolhe-os no seu regaço,
Fraterniza-os novamente.

Por essa razão, amigos,
Todo o ensino em substância,
É que a paz do lar terrestre
Depende da tolerância.

Falando em particular,
Peço-te, pois, meu irmão,
Que faças de tua casa
O instituto da afeição.

Não te esqueças que em família
A mais santa autoridade
É a que nasce da energia
Que não desdenha a bondade.

A fim de seres ouvido,
Recorda que o verbo dar
Na caravana efetiva
Precede o verbo ensinar.

Jamais te queixes dos teus,
Seja em qualquer confidência.
Muita vez, nos desabafos,
Há muitas maledicência.

Sem que repartas no mundo
A fé e o amor com os teus,
Não pode dar no caminho
Os sublimes dons de Deus.

Há lutas em tua casa,
Atritos e desavenças?
Isso é a sombra em que se prova
A claridade da crença.

Na noite de cada dia,
Nas luzes das orações,
Envia a Deus os apelos
De tuas inquietações.

Quanto ao mais, teu sacrifício
É a santa expressão de dor,
Purificando a família
No plano eterno do Amor.

Extraído do livro Cartas do Evangelho
Psicografado por Francisco Cândido Xavier - ditado pelo espírito Casimiro Cunha


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

COMPANHEIRO EM LUTA

A fase terminal de nossas tarefas, na noite de 12 de agosto de 1954, trouxe-nos à presença antigo companheiro de lides espíritas em Belo Horizonte, que passaremos a nomear simplesmente por Irmão Lima, já que o respeito fraternal nos impede Identificá-lo plenamente.

Lima, que era pai de família exemplar, desfrutava excelente posição social e, por muitos anos, exerceu os dons mediúnicos de que era portador em ambientes íntimos. Em 1949, como que minado por invencível esgotamento, suicidou-se sem razões plausíveis, trazendo, com isso, dolorosa surpresa a todos os seus amigos.

Na noite a que nos referimos, naturalmente trazido por Amigos Espirituais, utilizou-se das faculdades psicofônicas do médium e ofertou-nos o relato de sua história comovente, que constitui para nós todos uma advertência preciosa.

Venho da escura região dos mortos-vivos, à maneira de muitos vivos-mortos que se agitam na Terra.

O Espiritismo foi minha grande oportunidade.

Fui médium.

Doutrinei.

Contribuí para que irmãos sofredores e transviados recebessem uma luz para o caminho.

Recolhi as instruções dos mestres da sabedoria e tentei acomodar-me com as verdades que são hoje o vosso mais alto patrimônio espiritual.

Fui consolado e consolei.

Doentes, enfraquecidos, desesperados, tristes, fracassados, desanimados, derrotados da sorte, muitas vezes se reuniam junto de nós e junto de mim...

Através da oração, colaborei para que se lhes efetivasse o reerguimento.

Mas, no círculo de minhas atividades, a dúvida era como que um nevoeiro a entontecer-me o espírito e, pouco a pouco, deixei-me enredar nas malhas de velhos inimigos a me acenarem do pretérito — do pretérito que guarda sobre o nosso presente uma atuação demasiado poderosa para que lhe possamos entender, de pronto, a evidência...

E esses adversários sutilmente me impuseram à lembrança o passado que se desenovelou, dentro de mim, fustigando-me os germes de boa-vontade e fé, assim como a ventania forte castiga a erva tenra.

Enquanto a vida foi árdua, sob provações aflitivas, o trabalho era meu refúgio. No entanto, à medida que o tempo funcionava como calmante celeste sobre as minhas feridas, adoçando-me as penas, o repouso conquistado como que se infiltrou em minha vida por venenoso anestésico, através do qual as forças perturbadoras me alcançaram o mundo íntimo.

E, desse modo, a idéia da autodestruição avassalou-me o pensamento.

Relutei muito, até que, em dado instante, minha fraqueza transformou-se em derrota.

Dizer o que foi o suicídio para um aprendiz da fé que abraçamos, ou relacionar o tormento de um espírito consciente da própria responsabilidade é tarefa que escapa aos meus recursos.

Sei somente que, desprezando o meu corpo de carne, senti-me sozinho e desventurado.

Perambulei nas sombras de mim mesmo, qual se estivera amarrado a madeiro de fogo, lambido pelas chamas do remorso.
Após muito tempo de agoniada contrição, percebi que o alívio celeste me visitava.

Senti-me mais sereno, mais lúcido...

Desde então, porém, estou na condição daquele rico da parábola evangélica, porque muitos dos encarnados e desencarnados que recebiam junto de mim as migalhas que nos sobravam à mesa surgem agora, ante a minha visão, vitoriosos e felizes, enquanto me sinto queimar na labareda invisível do arrependimento, ouvindo a própria consciência a execrar-me, gritando:

— Resigna-te ao sofrimento expiatório! Quando te regalavas no banquete da luz, os lázaros da sombra, hoje triunfantes, apenas conheceram amarguras e lágrimas!...

Imponho-me, assim, o dever de clamar a todos os companheiros quanto aos impositivos do serviço constante.

A ação infatigável no bem é semelhante à luz do Sol, a refletir-se no espelho de nossa mente e a projetar-se de nós sobre a estrada alheia. Contudo, no descanso além do necessário, nossa vida interior passa a retratar as imagens obscuras de nossas existências passadas, de que se aproveitam antigos desafetos, arruinando-nos os propósitos de regeneração.

Comunicando-me convosco, associo-me às vossas preces.

Sou o vosso Irmão Lima, companheiro de jornada, médium que, por vários anos, guardou nas mãos o archote da verdade, sem saber iluminar a si próprio.

Creio que um mendigo ulcerado e faminto à vossa porta não vos inspiraria maior compaixão.

Cortei o fio de minha responsabilidade...

Amigos generosos estendem-me aqui os braços, no entanto, vejo-me na posição do sentenciado que condena a si mesmo, porqüanto a minha consciência não consegue perdoar-se.

Sinto-me intimado ao retorno...

A experiência carnal compele-me à volta.

Antes, porém, da provação necessária, visito, quanto possível, os ambientes familiares de nossa fé, buscando mostrar aos irmãos espiritistas que a nossa mesa de fraternidade e oração simboliza o altar do amor universal de Jesus-Cristo.

Temos conosco aquele cenáculo simples, em que o Senhor se reuniu aos companheiros de sublime apostolado...

De todas as religiões, o Espiritismo é a mais bela, por facultar-nos a prece pura e livre, em torno desse lenho sagrado, como sacerdotes de nós mesmos, à procura da inspiração divina que jamais é negada aos corações humildes, que aceitam a dor e a luta por elementos básicos da própria redenção.

Estou suplicando ao Senhor me conceda, oportuna-mente, a graça de reencarnar-me num bordel. Isso por haver desdenhado o lar que era meu templo...

Indispensável que eu sofra, para redimir-me, diante de mim mesmo.

Não mereço agora o sorriso e os braços abertos de nossos benfeitores, perante o libelo de meu próprio juízo.

Cabia-me aproveitar o tesouro da amizade, enquanto o dia era claro e quando o corpo carnal — enxada divina — estava jungido à minha existência como instrumento capaz de operar-me a renovação.

Ah! meus amigos, que as minhas lágrimas a todos sirvam de exemplo!...

Sou o trabalhador que abandonou o campo antes da hora justa...

O tormento da deserção dói muito mais que o martírio da derrota.

Devo regressar...

Reentrarei pela porta da angústia.

Serei enjeitado, porque enjeitei..

Serei desprezado, por haver desprezado sem consideração...

E, mais tarde, encadear-me-ei, de novo, aos velhos adversários.

Sem a forja da tentação, não chegaremos ao reajuste.

Rogo, pois, a Deus para que o trabalho não se afaste de minhas mãos e para que a aflição não me abandone... Que a carência de tudo seja socorro espiritual em meu benefício e, se for necessário, que a lepra me cubra e proteja para que eu possa finalmente vencer.

Não me olvideis nas vibrações de amizade e que Jesus nos abençoe.


Extraído do Livro: Instruções Psicofônicas
Psicografado por Francisco Cândido Xavier - Espírito Lima


ALMAS SOFREDORAS

Na noite de 2 de agosto de 1956, tivemos a alegria de ouvir pela primeira vez em nosso recinto o Espírito Casimiro Cunha, o notável poeta fluminense , que se manifestou através das suas rimas, repletas de simplicidade e beleza, para encantamento e edificação de nossas almas.

Meus amigos, no serviço
De prece e doutrinação,
Cada Espírito que sofre
É a bênção de uma lição.

Ouvindo os desencarnados
Em lutas de consciência,
Permaneceis navegando
Nas águas da advertência.

Tantos náufragos em treva,
Sem clarão que os reconforte,
São apelos da verdade,
Gritando no mar da morte.

O malfeitor que aparece
No tormento que o redime,
Bramindo, desarvorado,
É mensagem contra o crime.

Paranóicos revoltados,
Em vozerio e barulho,
São avisos dolorosos
Contra os flagelos do orgulho.

Apaixonados que clamam,
Entre a demência e o furor,
Revelam a delinqüência
Que se rotula de amor.

Sovinas desesperados,
Sob o tacão da secura,
São vivas lições na estrada
Contra os perigos da usura.

Suicidas em desalento,
Que a dor pavorosa espia,
Demonstram à sociedade
Os monstros da rebeldia.

As mentes em vício e ódio,
Sob lama deletéria,
Mostram em toda a extensão
A ignorância e a miséria.

Tiranos paralisados,
No suplício da aflição,
Indicam que há fogo e cinza
Nos tormentos da ambição.

Espíritos que perseguem
A carne enferma e insegura
São tristes apontamentos
De vampirismo e loucura.

Obsessores que bradam
Em sofrimentos atrozes
Ensinam que, além do corpo,
Há chagas e psicoses.

Meus irmãos, não olvideis,
No campo do aprendizado,
Que, acendendo a luz no Além,

Quem doutrina é doutrinado.


Extraído do livro: Vozes do Grande Além
Psicografado por Francisco Cândido Xavier - Espírito Casimiro Cunha