quinta-feira, 19 de setembro de 2013

FRATERNIDADE

Questão 344 do livro O Consolador:

O “amar ao próximo” deve ser levado até mesmo à sujeição, às ousadias e brutalidades das criaturas menos educadas na lição evangélica, sendo que o ofendido deve tolerá-lo humildemente, sem o direito de esclarece-las, relativamente aos seus erros?

- O amor ao próximo inclui o esclarecimento fraterno, a todo tempo em que se faça útil e necessário. A sujeição passiva ao atrevimento ou à grosseria pode dilatar os processos da força e da agressividade; mas, ao receber as suas manifestações, saiba o crente pulveriza-las com o máximo de serenidade e bom senso, a fim de que sejam exterminada em sua fonte de origem, sem possibilidades de renovação.

Esclarecer é também amar.

Toda a questão reside em bem sabermos explicar, sem expressões de personalismo prejudicial, ainda que com a maior contribuição de energia, para que o erro ou o desvio do bem não prevaleça.

Quanto aos processos de esclarecimentos, devem eles dispensar, em qualquer tempo e situação, o concurso da força física, sendo justo que demonstrem as nuanças de energia, requeridas pelas circunstâncias, variando, desse modo, de conformidade com os acontecimentos e com fundamento invariável no bem geral.

Extraído do livro O Consolador
Psicografado por Francisco Cândido Xavier - Espírito Emmanuel


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

COMO ORIENTARMOS NOSSAS VIDAS

por Pietro Ubaldi

É problema de cada dia ver alguém que pede orientação para sua vida, porque não sabe resolver seus problemas.

Está procurando o caminho melhor, cheio de boa vontade, também de fazer sacrifícios desde que o caminho seja o melhor. Nesta angústia ele vai pedindo orientação para saber como proceder. Mas é difícil encontrar um conselheiro iluminado, paciente e desinteressado. Não basta a boa vontade. Se o conselheiro não está orientando para si mesmo, como pode orientar os outros? Às vezes, pede-se luz a um cego que acredita possuí-la. Assim acontece que um cego vai guiando outro cego. Mas, pode também acontecer que neste mundo de lobos, os astutos logo procurem tirar proveito da fraqueza do próximo, para fazer dele um filiado às próprias teorias, filosofia, religião, grupo que seja. Atrás de muitos luminosos está sempre pronta a vigorar a luta pela vida e pelo triunfo do mais forte para esmagar o mais fraco. E aquele que, de qualquer maneira, pede opinião, prova ser o mais fraco. O que podemos dizer a este homem?

Procuramos dizer a ele uma palavra de sinceridade e honestidade. Do ponto de vista terreno, olhando só o que é deste mundo cheio de enganos, a coisa melhor para quem pede orientação é não deixar ninguém perceber que ele precisa de conselhos. Apoiar-se nos outros, esperar que estejam prontos e ao nosso dispor para ajudar-nos, e que o saibam fazer, é em geral uma agradável ilusão. E é melhor uma verdade dura, nua e crua, mas verdade, que qualquer, embora maravilhosa, ilusão. Devemos antes de tudo, apoiarmo-nos sobre nós mesmos, porque, em geral, os outros são também bastante carregados pelos seus problemas.

Devemos exigir de nós mesmos o esforço de pensar para resolver e de agir para atuar. Há ajudas do Céu, mas elas não descem de graça. Tudo o que recebemos do Alto é primeiramente remédio. A Divina Providência existe e é uma grande verdade. Mas ela não funciona para os preguiçosos. O caminho da conquista de qualquer coisa deve ser cumprido com o nosso esforço.

Somente depois de termos feito tudo isto, se tivermos a grande sorte de ter um amigo bom e iluminado, poderemos pedir orientação. Mas, orientar é difícil. Para tanto, é preciso orientar-se a si próprio, conhecendo a estrutura, o funcionamento da Lei de Deus que tudo dirige: a vida, a história, todos os fenômenos e o destino de cada um. Dentro desta orientação universal precisa o orientador estudar e conhecer o caso particular da vida e do destino de cada um e, por intermédio da análise de seus instintos, idéias inatas, movimentos do subconsciente, etc., chegar a reconstruir a causa passada destes efeitos presentes, isto é, a sua história anterior à vida atual, o seu passado no qual tudo isto foi semeado. O primeiro estudo chamase psico-análise, o segundo, psico-síntese.

Resumindo, para orientar é necessário:
1) Conhecer as leis gerais que dirigem o universo, os fenômenos até os de nossa vida, materiais e espirituais;
2) Tomar depois conhecimentos das leis particulares, diferentes para cada indivíduo, que regem a vida dele;
3) Conhecendo as leis do conjunto universal e as do caso particular, orientar o indivíduo, conforme o que é melhor para corrigir o seu destino se o seu passado foi errado, para melhorá-lo onde não teve erros para pagar.

Às vezes, trata-se de um doente espiritual a curar, que precisa de um tratamento que deve considerar o assado. Às vezes trata-se de quem deve pagar. Então deve-se ajudá-lo a pagar. Às vezes trata-se de uma alma nobre que quer ainda mais subir. Deve-se ajudá-lo a subir. Às vezes, trata-se de um preguiçoso que pede orientação porque não quer fazer o esforço que lhe pertence e que é seu dever cumprir. Então deve-se impulsioná-lo para cumprir mesmo com esforço. E, cada vez, a regra para o orientador é diferente, adaptada ao caso particular. Como não há duas personalidades ou dois destinos iguais, não há também duas orientações iguais.

Mas, encontra-se outra ajuda além desta que pode chegar dos homens. É a ajuda de Deus. Se quisermos atingi-la, procuremos Deus. E Deus está dentro de nós. Devemos procurá-lo por intermédio da concentração.

Pode-se comunicar com Deus pela prece de qualquer forma, de qualquer religião, se ela sai do coração. Nem todos podem perceber por inspiração a resposta, porque nem todos são sensíveis bastante para chegar a isto. Mas, dirigir-se a Deus, com amor e obediência, para melhor conhecer a sua vontade a nosso respeito e para melhor obedecer à ela, é o primeiro passo para receber iluminação através deste outro caminho.

O homem evoluído vive mais da vontade de Deus que da sua, porque ele é antes de tudo harmonizado com a Lei, o que quer dizer aproximar-se da felicidade. Para ele a perfeita orientação é atingida na completa aceitação da vontade de Deus. Isto, este homem faz, porque sabe que é o caminho da maior vantagem e bem estar. Aqui é preciso também o nosso esforço para ver e compreender. Mas quando tivermos feito nosso esforço todo e compreendido todo o nosso dever, então, estaremos quites com o Céu e abra-se nosso crédito e direito perante ele e conforme a Lei deverá chegar a ajuda agora merecida.

Esta ajuda chama-se “Divina Providência”. Ela está pronta para funcionar. Mas, como todos os fenômenos, requer algumas condições indispensáveis, sem as quais não se verificam.

Vejamos quais são elas:
1) Merecer a ajuda;
2) Haver, antes de mais nada, esgotado as possibilidades de suas próprias forças;
3) Estar de acordo com as suas condições em estado de necessidade absoluta;
4) Pedir o necessário e nada mais;
5) Pedir humildemente com submissão e fé.

Quando estas condições se realizam, a Divina Providência está em condições de funcionar. Do contrário o fenômeno não pode se verificar. Deste modo não se pode falar de Providência com relação aos malvados, preguiçosos, ricos cobiçosos, incrédulos, soberbos. Manifesta-se ela e trabalha em favor dos bons, dos laboriosos, necessitados, morigerados, crentes humildes e de boa fé. Esta é, pois, a primeira condição: merecer.

Em certos momentos da vida, é necessário sermos deixados sozinhos diante do obstáculo para que aprendamos a superar as dificuldades com o emprego apenas de nossos meios. Quando não merecemos ajuda ou ela nos seria prejudicial, a Providência, se nos furtasse à prova necessária para nosso próprio bem, não seria ajuda, mas apenas traição. Neste caso a ajuda, que não falha, consiste em dosar a prova e diluir o esforço necessário que nos poupasse de progredir.

Quando quisermos por a Providência a serviço de nossa preguiça, é justo que a Lei neste caso se recuse a atender nosso apelo. Deus, sem dúvida alguma pai amoroso, não é, porém, nosso escravo. Sua Providência jamais nos ajudará se antes não houvéssemos feito tudo quanto estava em nossas forças, para agradecermos a lição.

A necessidade absoluta constitui a terceira condição. Se a Providência prodigalizasse o supérfluo, ao invés de encorajar a vida, levá-la-ia ao ócio que conduz ao aniquilamento. É preciso, pois, pedir com moderação e esperar apenas o que for justo. Pedir o necessário para viver com simplicidade, para que o instrumento do corpo possa fazer o trabalho pedido pelo espírito e indispensável para as finalidades da vida.

É preciso, finalmente, pedir com submissão e fé. Devemos conhecer a Lei de Deus para obedecer e não para exigir e mandar. Devemos também crer e confiar, ter a sensação desta realidade estupenda: a de que não estamos abandonados e sós, mas que existe nos Céus, o Pai, velando por nós e provendo-nos do necessário.

Quando é que na prática se perfazem estas cinco condições? E por que maravilharmo-nos de que o fenômeno não se verifique? Todo fenômeno tem as suas regras especiais e absurda é a pretensão de jogar sem conhecer as regras do jogo. Assim é que a Providência em muitos casos falha e não funciona. Fechamos-lhe as portas impedindo sua ação e, em seguida, negamos-lhe a existência.

Eis os resultados práticos que poderemos atingir, se soubermos orientar-nos. Quando nós cumprirmos as condições necessárias, além da palavra iluminadora do orientador poderá chegar a ajuda concreta de Deus. E quando formos bem orientados conforme a Sua Lei e operarmos conforme esta, a ajuda de Deus não pode faltar. De tudo isto se pode concluir que grande valor tem na nossa vida uma orientação e saber como orientarmos.

Concluindo: diferentes são os caminhos para chegar-se a orientação. O homem que não conhece a Lei geral de Deus, que tudo dirige, nem o seu destino particular, pedirá orientação se encontrar um iluminado que saiba e queira orientá-lo. O evoluído sábio pedi-la-á ele mesmo a Deus, estudando a vontade Dele para aceitar em obediência. Tudo isto cada um realizará conforme o grau atingido na sua evolução.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

É PARA ISTO

Emmanuel
“Não retribuindo mal por mal, nem injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados.”
(1ª Epístola de Pedro, 3:9.)

A fileira dos que reclamam foi sempre numerosa em todas as tarefas do bem.

No apostolado evangélico, reparamos, igualmente, essa regra geral.

Muitos aprendizes, em obediência ao pernicioso hábito, preferem o caminho dos atritos ou das dissidências escandalosas. No entanto, mais algum raciocínio despertaria a comunidade dos discípulos para a maior compreensão.

Convidar-nos-ia Jesus a conflitos estéreis, tão-só para repetir os quadros do capricho individual ou da força tiranizante? Se assim fora, o ministério do Reino estaria confiado aos teimosos, aos discutidores, aos gigantes da energia física.

É contra-senso desfazer-se o servidor da Boa Nova em lamentações que não encontram razão de ser.

Amarguras, perseguições, calúnias, brutalidade, desentendimento? São velhas figurações que atormentam as almas na Terra.

A fim de contribuir na extinção delas é que o Senhor nos chamou às suas fileiras. Não as alimentes, emprestando-lhes excessivo apreço.

O cristão é um ponto vivo de resistência ao mal, onde se encontre.

Pensa nisto e busca entender a significação do verbo suportar.

Não olvides a obrigação de servir com Jesus. É para isto que fomos chamados.

Extraído do livro Pão Nosso
Psicografado por Francisco Cândido Xavier - Espírito Emmanuel


VIVAMOS CALMAMENTE

Emmanuel
“Que procureis viver sossegados.”
Paulo. (1ª Epístola aos Tessalonicenses, 4:11.)

Viver sossegado não é apodrecer na preguiça.

Há pessoas cujo corpo permanece em decúbito dorsal, agasalhadas, contra o frio da dificuldade, por excelentes cobertores da facilidade econômica, mas torturadas mentalmente por indefiní-veis aflições.

Viver calmamente, pois, não é dormir na estagnação.

A paz decorre da quitação de nossa consciência para com a vida, e o trabalho reside na base de semelhante equilíbrio. Se desejamos saúde, é necessário lutar pela harmonia do corpo.

Se esperamos colheita farta, é indispensável plantar com esforço e defender a lavoura com perseverança e carinho. Para garantir a fortaleza do nosso coração, contra o assédio do mal, é imprescindível saibamos viver dentro da serenidade do trabalho fiel aos compromissos assumidos com a ordem e com o bem.

O progresso dos ímpios e o descanso dos delinqüentes são pa-radas de introdução à porta do inferno criado por eles mesmos.

Não queiras, assim, estar sossegado, sem esforço, sem luta, sem trabalho, sem problemas...

Todavia, consoante a advertência do apóstolo, vivamos calmamente, cumprindo com valor, boa-vontade e espírito de sacrifício, as obrigações edificantes que o mundo nos impõe cada dia, em favor de nós mesmos.

Extraído do livro Fonte Viva
Psicografado por Francisco Cândido Xavier - Espírito Emmanuel


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

GENÉTICA E EVOLUÇÃO

O aperfeiçoamento das raças animais e vegetais pela ciência é contrária à lei natural? Seria mais conforme a esta lei deixar as coisas seguirem o seu curso natural?

- Tudo se deve fazer para chegar à perfeição, e o próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir os seus fins. Sendo a perfeição o alvo para o qual tende a natureza, favorecer a sua conquista é corresponder aqueles fins.

(“O Livro dos Espíritos”, questão nº 692)

A evolução da genética através das pesquisas de laboratório, interferindo nos processos de aperfeiçoamento das raças animais e vegetais, não é contrário às leis da natureza. Também, neste sentido, a inteligência humana esta concorrendo para as obras Divinas que não lhe dispensa o concurso.

Enganam-se quantos supõe que novas conquistas científicas questionam a realidade do espírito, apregoada pela doutrina... A ausência de raciocínio na fé induz o homem à fragilidade diante do vertiginoso avanço na ciência da atualidade.

Ao invés de mais admirar a inteligência que, a cada dia, mais se revela por traz de tudo o que existe, a insegurança e o preconceito levam o homem á descrença e ao absurdo de admitir no acaso a autoria do universo.

A inteligência humana está a serviço da Inteligência Divina e, sem dúvida, o futuro ensejará gratas surpresas ao homem sobre a Terra, desde, é claro, que ele não se perverta e não se entregue a uma guerra de extermínio sem precedentes na história da humanidade.

O avanço tecnológico em todos os ciclos, o mapeamento genético do corpo humano, os chamados vegetais trangênicos, as sofisticadas técnicas de inseminação em laboratório – Tudo isto e muito mais significam conquistas do espírito, amenizando-lhe o peso do karma, em suas experiências no corpo.

Tanto quanto o espírito, a matéria também é susceptível de aperfeiçoar-se...

Por outro lado a ciência, em termos biológicos, não está criando, mas apenas viabilizando; devagar, o homem apenas está tomando consciência do que sempre existiu e ele sempre ignorou: O homem não faz as leis que regulam a vida material; ele as descobre e aprende como utilizá-las.

Não será, pois, o Mundo Espiritual que terá de se adaptar aos progressos da ciência, que parece lhe desafiar a previsibilidade; o mundo físico com as profusas luzes do conhecimento que nos albores do terceiro milênio, tem ascendido em todas as áreas do saber humano, é que tem mais bem adequado á transcendência da vida, que extrapola os limites estreitos da matéria.

Em seu natural dinamismo, o Espiritismo não se embaraçará entre o avanço intelectual que, quanto mais se patenteie, mais há de se confirmar os postulados que se lhe alicerçam a Fé Raciocinada.

A ciência que no passado, decretou a morte de Deus, preconizando o império do materialismo está prestes a anunciar a existência do Criador, vindo em socorro da fé na imortalidade, que as religiões que estagnaram no tempo não estão mais logrando sustentar na Alma humana.

Tanto no microcosmo quanto no macrocosmo, quanto mais se envereda por labirintos jamais percorridos pela inteligência, o homem surpreenderá Deus e a ciência. Finalmente expurgando da crença o fanatismo, proclamará a verdade como religião universal do espírito.

Extraído do livro: Se teus olhos forem bons.
Psicografado por Carlos A. Baccelli - Espírito Irmão José

CONVITE À JOVIALIDADE

“Se sabeis estas cousas, bem-aventurados sois se as praticardes.”
(João: capítulo 13, versículo 17)

A palavra áspera aqui e o conceito azedo ali consubstanciam a aura do desagrado.

O cenho carrancudo em regime de continuidade, deformando a aparência da face, materializa a expressão do tormento íntimo.

A habitual constrição facial, exteriorizando desagrado, produz a possibilidade negativa do intercâmbio fraterno...

Eles passam, os atormentados de toda característica, assinalados pelas marcas fundas dos dramas que ressumam dos painéis perispirituais, gerando deformidades que exteriorizam, desagradáveis.

Indispensável cultivar a jovialidade em qualquer esfera de ação mormente nas tarefas do Cristianismo Redivivo.

Movimentar o bem como quem suporta pesado fardo, significa desfigurar o próprio bem.

Ensinar alegria e confiança entre asperezas, carrancas e severidade para com os outros e sistemática de antipatia representa enunciar palavras belas e viver paisagens sombrias.

Como um semblante vulgarizado por um sorriso de idiotia representa um espírito agrilhoado à expiação, a dureza da face, o verbo cortante constituem as armas de insidiosa enfermidade espiritual.

Jovialidade, portanto.

Um espírito agradável a reproduzir-se numa face amena, não obstante as sombras e as lágrimas que, por vezes, expressam os impositivos da evolução pela dor, gerando simpatia e afabilidade.

Cismando, porém, ameno, carregando a Cruz, todavia, tranquilo, azorragado e humilhado até à extrema e mísera posição, Jesus manteve o alto padrão da jovialidade, em tal monta que mesmo em agonia amenizou as circunstâncias que exornavam a tarde de hediondez para cantar esperanças aos acompanhantes infelizes, acenando-lhes com a promessa do Paraíso, e bordando-lhes a noite pesada em que padeciam intimamente com as estrelas excelsas da paz ditosa.

Extraído do livro Convites da Vida
Psicografado por Divaldo Pereira Franco
Ditado pelo espírito Joanna de Ângelis